24/03/2008 08:00

Hubble detecta molécula orgânica em planeta distante

Apesar da descoberta, astro dificilmente seria capaz de abrigar vida por ser muito quente.
Técnica que encontrou a molécula pode, no entanto, ajudar a busca em outros planetas.

Uma molécula orgânica foi detectada pela primeira vez na atmosfera de um planeta fora do nosso Sistema Solar, o que é importante na busca por vida extraterrestre.

Usando o telescópio orbital Hubble, os astrônomos acharam metano na atmosfera do planeta HD 189733b, que tem mais ou menos o tamanho de Júpiter e fica a 63 anos-luz da Terra, segundo pesquisa publicada na quarta-feira pela revista Nature.

Moléculas orgânicas contêm ligações carbono-hidrogênio, e podem ser encontradas em coisas vivas. O metano, por exemplo, aparece no gás natural e em arrotos do gado. Mas os cientistas se apressaram em dizer que esse distante planeta --com temperaturas em torno de 1.000 graus celsius-- não é em princípio candidato a abrigar formas de vida.

"Para este planeta específico que observamos, o metano não pode ser produzido biologicamente. É altamente improvável que as vacas pudessem sobreviver lá", disse a pesquisadora Giovanna Tinetti, do University College, de Londres.

No futuro, segundo ela, os cientistas pretendem repetir as observações em planetas mais propícios à vida.

O HD189733b é um dos mais de 270 planetas ditos extra-solares. É um "Júpiter quente", ou seja, um gigante gasoso que orbita próximo à sua estrela. Esse especificamente completa uma volta a cada dois dias terrestres.

O metano, composto por carbono e hidrogênio, aparece em vários planetas do Sistema Solar. "Sob as condições corretas, o metano pode contribuir para a formação de aminoácidos [que são um composto importante para a vida]", disse outro pesquisador do grupo, Mark Swain, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Os cientistas também puderam confirmar a descoberta já anunciada previamente de moléculas de água na atmosfera do planeta.

Os cientistas usam um método chamado espectroscopia de trânsito para analisar a luz da estrela-mãe quando distorcida pela passagem do planeta.

"Pode-se pensar num prisma fazendo um espectro de arco-íris quando se joga luz através dele [...]. As moléculas na atmosfera do planeta deixam uma impressão-digital no espectro", disse Swain por telefone.

Em outro trabalho, astrônomos usaram o telescópio espacial Spitzer e o telescópio havaiano Keck 2 para encontrar moléculas de água em discos de gás e poeira em torno de duas estrelas jovens.

A água está no centro dos discos giratórios de partículas que podem eventualmente se aglutinar para formar planetas em torno das estrelas DR Tau, a 457 anos-luz da Terra, e AS 205 A, a 391 anos-luz da Terra, segundo artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters.

Fonte: G1

enviada por Mario






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